Mais de 2,6 mil mulheres procuram o MP após casos de violência doméstica em Boa Vista

Mais de 2,6 mil mulheres vítimas de violência doméstica foram atendidas pelo Ministério Público de Roraima (MPRR) em Boa Vista entre janeiro de 2025 e março de 2026. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (6) pela Promotoria de Defesa da Mulher, em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, e apresentam um panorama das denúncias, atendimentos e do perfil dos agressores registrados no período.

Além dos atendimentos às vítimas, o balanço aponta uma intensa atuação jurídica do órgão. No período, foram oferecidas 1.349 denúncias contra agressores, registradas 22.158 manifestações em processos judiciais e instaurados 532 procedimentos extrajudiciais.

Segundo o promotor de Justiça Hevandro Cerutti, o número de manifestações demonstra o acompanhamento permanente realizado pelo Ministério Público nos casos de violência doméstica.

“Cada manifestação em um processo representa a atuação do Ministério Público na defesa das vítimas e na busca pela responsabilização de quem pratica violência. É um trabalho contínuo, célere e atento para garantir que a lei seja aplicada e que as mulheres tenham seus direitos assegurados”, destacou.

Para o promotor de Justiça Valmir Costa, os números também evidenciam a importância da atuação institucional no enfrentamento à violência doméstica.

“A denúncia é um passo importante para romper o ciclo da violência. O Ministério Público atua para que esses casos tenham resposta efetiva da Justiça, para que as vítimas recebam a proteção necessária e os autores recebam as sanções penais devidas”, afirmou.

Os promotores são responsáveis pela 2ª e 3ª Titularidades da Promotoria de Defesa da Mulher, atuando nas esferas judicial e extrajudicial na proteção dos direitos de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, além do acompanhamento de processos que tramitam nos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.

Ações de apoio às vítimas

Além da atuação judicial, o Ministério Público também desenvolve iniciativas preventivas e de caráter social voltadas ao fortalecimento da autonomia de mulheres em situação de violência. Para a promotora de Justiça Lucimara Campaner, responsável pela 1ª Titularidade, o acolhimento e o apoio integral são fundamentais para reconstruir a vida das vítimas.

“A defesa da mulher começa no acolhimento humanizado e na escuta atenta de quem precisa de ajuda. Mas sabemos que a liberdade real exige mais. É na união desse acolhimento com o apoio jurídico, a qualificação profissional e o acesso a uma moradia segura que conseguimos transformar o sofrimento em dignidade”, ressaltou.

Somente em 2025, mais de 100 mulheres participaram de projetos desenvolvidos pelo MPRR, como o Beleza que Liberta e o Cuidado que Liberta, iniciativas que oferecem cursos nas áreas de estética e saúde com foco na geração de renda e no fortalecimento da autoestima.

Outro destaque foi a emissão de 104 Certidões de Vulnerabilidade para Mulheres em Contexto de Violência Doméstica por meio do projeto Lar Seguro. O documento garante prioridade de acesso a programas habitacionais de interesse social, como o Minha Casa, Minha Vida.

Perfil dos casos

Levantamento realizado pela Corregedoria do MPRR também traçou o perfil dos casos registrados em 2025. Os dados indicam que 96,5% dos denunciados são homens e 3,5% são mulheres. A violência ocorre, na maioria das vezes, dentro de casa e é praticada por pessoas conhecidas da vítima.

Entre os principais crimes registrados estão lesão corporal e ameaça, que somaram 1.179 casos. A faixa etária mais atingida é a de mulheres entre 20 e 30 anos, representando 41,1% das vítimas. Em 26,9% das ocorrências, o consumo de álcool foi apontado como fator associado às agressões.

Como denunciar

O Ministério Público orienta que mulheres em situação de violência busquem ajuda junto à rede de proteção. As denúncias podem ser feitas na Promotoria de Defesa da Mulher pelo telefone (95) 99122-7403, na Casa da Mulher Brasileira pelo número (95) 98102-2480 ou na Ouvidoria das Mulheres do MPRR pelo telefone (95) 99121-9365.

Em casos de emergência, a recomendação é acionar a Polícia Militar pelo número 190.

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