A Venezuela voltou a permitir a entrada de mercadorias brasileiras após emitir o certificado de nacionalização do sistema Comex, documento necessário para a liberação das cargas no país vizinho. Com a autorização, caminhões que estavam retidos na fronteira seguiram viagem para entregar produtos como margarina, composto lácteo e trigo.
A liberação começou na quarta-feira (11), um dia após a divulgação de que mercadorias brasileiras enfrentavam restrições para entrar no território venezuelano. A informação foi confirmada por representantes do setor empresarial que atuam no comércio entre os dois países.
Segundo o presidente da Câmara de Comércio Brasil–Venezuela, Eduardo Ostreicher, a solução ocorreu após articulações com autoridades brasileiras. Ele informou que entrou em contato com o adido comercial da embaixada do Brasil na Venezuela, Rodrigo Meirelles Gaspar Coelho, que levou a situação à embaixadora brasileira no país. A diplomata, por sua vez, acionou a ministra de Comércio Exterior da Venezuela, Coromoto Godoy.
Após as tratativas diplomáticas, as autoridades venezuelanas autorizaram novamente a emissão dos chamados “permisos”, documentos necessários para a importação das mercadorias. A medida permitiu que as cargas voltassem a ser processadas normalmente na aduana.
A presidente da Câmara de Importadores de Santa Elena de Uairén, Fátima Araújo, também destacou a importância do diálogo entre os governos dos dois países para resolver o impasse e garantir a continuidade das relações comerciais na região de fronteira.
Antes da liberação, empresários enfrentavam custos extras com o armazenamento das cargas retidas, chegando a pagar cerca de R$ 550 por dia para manter cada caminhão nos pátios aguardando autorização. Além disso, havia o risco de prejuízos milionários caso algumas cargas ultrapassassem o prazo legal de permanência na aduana, o que poderia resultar na apreensão das mercadorias.
Exportadores relataram que apenas dois empresários poderiam acumular prejuízos de aproximadamente R$ 7,4 milhões caso 18 cargas de margarina fossem confiscadas.
O comércio com a Venezuela é considerado estratégico para Roraima, já que o país vizinho é um dos principais destinos das exportações do estado.

