Documentário “Línguas de Roraima” destaca diversidade linguística e cultura dos povos originários

Fotos: Eduardo Andrade / Nonato Sousa / Reprodução TV Assembleia | SupCom/ALERR

A TV Assembleia de Roraima (canal 57.3) estreia nesta sexta-feira (13), às 13h30, o documentário “Línguas de Roraima”, uma produção que aborda a preservação, valorização e continuidade das tradições linguísticas dos povos originários do estado. A obra também terá reprise após o programa Assembleia Informa, às 18h30.

O documentário destaca a diversidade cultural e linguística presente em Roraima, considerado um dos estados com maior pluralidade de idiomas indígenas no país. A produção apresenta histórias, saberes e experiências de pessoas que trabalham para manter viva a língua materna nas comunidades indígenas, reforçando a importância da preservação cultural.

A obra também faz referência à legislação estadual que reconhece e protege essas tradições linguísticas, como a Lei nº 1.782/2023, que institui o Dia Estadual da Língua Materna e das Línguas e Culturas Locais, celebrado em 21 de fevereiro, e a Lei nº 2.055/2024, que reconhece as línguas indígenas de Roraima como patrimônio cultural imaterial do estado. A legislação também prevê a cooficialização desses idiomas e estabelece a política estadual de proteção às línguas indígenas.

Ao longo do documentário, o público acompanha um panorama sobre a fala, a escrita e as ancestralidades indígenas da região, além dos desafios enfrentados pelas comunidades para manter viva a língua materna em um contexto marcado pela predominância do português.

Apesar de o português ser o idioma oficial do país, Roraima abriga uma grande diversidade de línguas indígenas, além de influências do espanhol e do inglês, reflexo de sua localização em área de fronteira com outros países da América do Sul.

O objetivo é mostrar como esse trabalho é feito na sala de aula e de que forma o Insikiran vem formando educadores”, explicou a diretora Camila Dall’Agnol.

Gravações em comunidades indígenas

Apresentado pela jornalista Júlia Matos, o documentário foi produzido após mais de duas semanas de gravações em comunidades indígenas do interior do estado.

As equipes estiveram nas comunidades Alto Arraia, localizada no município de Bonfim, e Canauanim, no município de Cantá. Segundo a jornalista, essas localidades mantêm forte conexão com suas línguas e tradições culturais, consideradas fundamentais para a preservação da identidade dos povos indígenas.

“Me sinto feliz em ter conhecido a história de pessoas que se orgulham de suas raízes ancestrais e que lutam pela cultura do seu povo. São pessoas que usam a educação, a música, a dança e os saberes tradicionais para perpetuar esse conhecimento nas novas gerações”, destacou Júlia Matos.

Durante as gravações, também foram entrevistados professores e pesquisadores ligados à Universidade Federal de Roraima e ao Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena, além de estudantes e educadores envolvidos na formação de professores indígenas.

Educação e preservação da língua

Entre os personagens apresentados na produção está a professora Rosa Maria Laurentino Menezes, que há mais de 20 anos atua no ensino da língua macuxi, sendo três deles dedicados à formação de jovens da comunidade Alto Arraia.

Segundo ela, ensinar o idioma é uma forma de fortalecer a identidade cultural e garantir que as novas gerações continuem utilizando a língua tradicional.

“Eu falo macuxi, que é a minha língua materna. Também falo inglês e português e entendo wapichana. Atualmente, ensino macuxi para alunos do 6º ano até o ensino médio”, relatou.

Diversidade linguística

De acordo com a diretora da TV e Rádio Assembleia, Camila Dall’Agnol, a produção do documentário surgiu a partir da reflexão sobre a importância da preservação das línguas maternas no estado.

“Nós somos multilíngues. Existem mais de 20 línguas ligadas a diferentes etnias em Roraima. Por isso buscamos pesquisadores, estudantes e pessoas que trabalham diariamente para preservar essas línguas. O objetivo é mostrar como esse trabalho acontece nas comunidades e nas salas de aula, além do papel do Insikiran na formação de educadores indígenas”, explicou.

A produção busca destacar não apenas a riqueza linguística do estado, mas também o papel da educação e da pesquisa acadêmica na valorização das culturas indígenas e na preservação desse patrimônio cultural para as futuras gerações.

Produção especial terá reprises depois do programa Assembleia Informa, às 18h30.

Ficha técnica

Reportagem: Júlia Matos

Produção: Marilena Freitas e Júlia Matos

Imagens: Emackson Sarmento

Imagens drone: Esv Produções

Apoio técnico: Josué Garcia Hernandez

Edição de texto: Camila Dall’Agnol

Revisão: Camila Dall’Agnol

Edição de imagens: Marcelo Fernandes

Facebook
X
Telegram
WhatsApp